quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Musica nas escolas



REFERENCIAL TEÓRICO

O estudioso Louis Porcher em seu livro "educação artística luxo ou necessidade?" fala sobre o impasse que existe para música ser de fato seriamente inserida na educação em seu real contexto, visando o desenvolvimento cultural e outros atributos formadores de consciência nos estudantes. Em seu livro pode-se observar que mesmo sendo ele de outra nacionalidade, no caso francês, o problema real do bloqueio que se faz impedindo um sério direcionamento à educação musical nas escolas, são paradigmas rudes presentes tanto em países de primeiro mundo, como no caso da França, possivelmente outros espalhados na Europa, quanto países emergentes como o Brasil. Ele menciona um consenso antimusical relativamente inconsciente dos que participam pedagogos e pais, que tendem a relativizar a importância do aprendizado de música a um mero aspecto da produção cultural, levando as crianças à surdez da ignorância dos sentidos impedindo o acesso ao orgulho de conhecer, analisar estruturalmente, reconhecer padrões estéticos absorver noção de simetria e conhecimento de harmonia.
Pais e professores cada vez mais ignoram os valores da educação musical, desinteressados por esses conhecimentos, tendem a deixar que apenas os mais curiosos ou predispostos busquem por si esse tipo de desenvolvimento. O qual defrontando-se com uma sociedade onde encontrará pouco reconhecimento e muito menos compreensão da importância desse ofício, caso escolha ser músico, terá que ter uma força de vontade imensurável e um espírito de luta contra esses paradigmas, porém tornando-se uma força de resistência dentre tantas vontades lassas.
Segundo Louis Porcher (1982, p.76) "Entre a carência da educação escolar por um lado e incultura da opinião pública por outro existe sem dúvida um condicionamento recíproco. Um círculo vicioso é difícil vislumbrar como ele poderia ser rompido." Dessa forma então estamos diante de uma questão muito mais complexa do que se imagina, o porquê inserir a música no currículo escolar. Homens como Carl Orff, Kodaly e Martenot desenvolveram brilhantemente suas teorias e métodos, os quais são muito bem aceitos dentre os músicos e educadores como Nicole Jeandot em seu livro "Explorando o universo da música" e o livro "musicalizando as crianças: Teoria e prática da educação musical" que conta com artigos de autores como: Ieda Camargo de Moura, Maria Teresa Trevisan Boscardin e Bernadete Zagonel, dentre outros livros publicados sobre o assunto ao longo das décadas.
Pensar em educação musical é necessário vê-la pela ótica da interdisciplinaridade que vise o desenvolvimento integral dos indivíduos. Levando em consideração o potencial da música para desenvolver diferentes capacidades mentais, motoras, afetivas, sociais e culturais de crianças, jovens e adultos, a qual se configura como veículo privilegiado para se alcançar as finalidades educacionais. Através dessa forma de tão pura e nobre comunicação, que permite ao aprendiz inserir-se em culturas e em contextos diversos, aonde pelo prazer estético se absorve todo tipo de conhecimento e experimentam-se tantas sensações e sentimentos que de outra maneira seriam apenas parcialmente representados.
Grandes filósofos e metafísicos fizeram os mais altos elogios à música, Shoppenhauer a classificou como "a representação mais perfeita da vontade objetivada", Nietzsche escreveu que "na música as paixões encontram finalidade em si", como Sócrates em suas últimas palavras falou de seu único arrependimento, disse ele que devia ter estudado mais música.
Já que a teoria está satisfatoriamente estabelecida e seu significado ante os departamentos de cognições e associações possíveis benéficas ao desenvolvimento da criança e do futuro adulto, o que nos restam são dois problemas fundamentais o legal e o sócio-cultural. Diante do grande impasse entre a multiplicidade de interpretação ao termo "ensino de artes", no qual a música não estava sendo contemplada é que foi elaborado um o projeto de lei, propondo a implantação gradativa da obrigatoriedade do ensino da música na educação básica,
O projeto que prevê alteração da lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 em andamento no congresso nacional foi sancionado (15 de Agosto de 2008), o vice-presidente em exercício no Planalto, os acréscimos são os seguintes:
Art. 1º O art. 26 da Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§:
§ 6º A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o § 2º.
§ 7º O ensino da música será ministrado por professores com formação específica na área." (NR)
Art. 2º Os sistemas de ensino terão 3 (três) anos letivos para se adaptarem às exigências estabelecidas no art. 1º.
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
A partir das alterações na lei nº. 9.394, o que nos põe a caminho para a musicalização dos estudantes e utilizando-se das mais otimistas perspectivas das teorias já citadas, é possível perceber que a música é uma prática social, que permite exercitar as várias capacidades como a de ouvir, compreender e respeitar o outro. A aprendizagem musical contribui para o desenvolvimento cognitivo, psicomotor, emocional e afetivo e também para a construção de valores pessoais e sociais de crianças e jovens. A educação musical escolar não deve visar a formação do músico profissional, mas o acesso à compreensão da diversidade de práticas e de manifestações musicais da nossa cultura, bem como de culturas mais distantes.
É preciso agora enfrentar a questão social, sendo que esta mesmo iniciou-se numa educação pulsilamine, e é pela educação mesmo que irá se revigorar, com esse novo fôlego de estima aos que lutam por essa causa.


Texto de Dave Rodriguez e Aline Jezica P Cruz

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